
Revista O Negro Em Cena
Essa revista é pra você

ZÓZIMO BULBUL
A LUZ DO CINEMA NEGRO BRASILEIRO
Primeiro Fórum
O Negro em Cena
AGORA TAMBÉM RESTA UMA FOTO QUE O RETRATISTA DEIXOU
Mulheres negras sobre o olhar, a lente e o foco de Ierê Ferreira.
Por Sylvia Helena de Carvalho Arcuri
Na proxima Edição:
Ensaios especiais do fotógrafo Severino Silva
e Rio Maping Festival.

Editorial
"Viajar e sonhar me ajudou a canalizar minha coragem interior. Assim vou construindo e imprimindo nossas memórias ".


Apresentação:
O Primeiro Fórum Cultural O Negro em Cena aconteceu em 24 e 25 de março de 2007, na Marina da Gloria, e teve como maior objetivo apresentar o protagonismo negro através das suas artes: música, gastronomia, os Orixás, teatro, cinema , dança, moda, literatura e poesia, além das produções acadêmicas.
O negro em “cena” foi um grande fórum!
O anfitrião de um encontro aberto a todas as cores, que contou com os apoios da Rede Globo, Fundação Palmares, Prefeitura do Rio de Janeiro,Petrobras e Furnas.
Contou também com uma grande equipe de trabalho que fez do evento um marco para a comunidade negra no Rio de Janeiro.
Com a intenção de continuar fazendo circular a energia do projeto "O Negro em Cena", dedico esta fase do meu trabalho na construção desta revista com propósito de imprimir nossas memórias, a fim de informar e preservar nossas histórias e a dos nossos personagens.
Essa REVISTA é pra você!
Apoie este trabalho pelo
PIX: 21-984237151
Editor: Ierê Ferreira
Colaboradoras: Daniele da S. Araújo
Sylvia Arcuri e Iara Brandão Ferreira


Programação:
Exposição fotográfica: O Negro em Cena do Fotografo e produtor Ierê Ferreira.
Exposição: Orixás do Babalaô Roberto D’Otulú : descrição dos 16 principais Orixás do panteão, com vestimentas de gala.
Gastronomia: Degustação de culinária da comunidade quilombola de Machadinha do município de Quissamã /RJ.
Oficinas de dança e percussão: Grupo Kina Mutembua e Grupo Makala.
Seminário 1: Conhecer a África para entender o Brasil com o Embaixador Alberto da Costa e Silva.
Seminário 2: O que é Ação Afirmativa?
Cinema: Filmes "Vista a Minha Pele" e "Filhas do Vento" de Joel Zito Araújo e exibição dos programas "A Cor da Cultura – série Mojubá".
Roda de Samba: Grupo Terno de Cambraia, participações especiais de Ircéia Pagodinho, Renato Milagres, Dorina, Iracema Monteiro Edinho Oliveira, Leandro D'Menor, Efisom e Zé Luiz do Império.
Shows: Grupo de dança Makalá, Banda Farofa Carioca, Banda Afroreggae com participação de Preta Gil e show da cantora Rita Ribeiro.

Os homenageados que receberam o prêmio
O Negro em Cena:
Abdias do Nascimento
Destaca-se pelo engajamento na luta contra o racismo desde a década de 30. Entre suas inúmeras ações, funda o Teatro Experimental do Negro em 1944 Entidade que patrocina a Convenção Nacional do Negro em 45-46. Esta convenção propõe à Assembleia Nacional Constituinte de 1946 a inclusão de políticas públicas para a população afro- descendente e um dispositivo constitucional definindo
a discriminação como crime de lesa-pátria.
Gilberto Gil
Foi o Ministro da Cultura do Governo Lula no período deste projeto. Em 1968, com o LP “Gilberto Gil”, inicia o Tropicalismo. Ele e Caetano Veloso foram as principais figuras. Em 69 foi preso pela ditadura cívico militar e lançou uma de suas músicas mais famosas: “Aquele Abraço”. Partiu para o exílio na Inglaterra, voltando ao Brasil em 1972. Sua carreira internacional lhe rendeu vários prêmios, inclusive um Grammy na categoria Melhor disco de World Music em 1998, pelo álbum "Quanta Ao Vivo".
Dona Ivone Lara
Carioca, cantora e compositora desde os 12 anos de idade. Foi a primeira mulher a compor samba-enredo. Era madrinha da ala dos compositores de sua escola Império Serrano. Desfilava desde 1968 na ala das baianas. Os maiores intérpretes da música brasileira já gravaram sucessos de D. Ivone Lara. Entre eles, Gal Costa, Maria Betânia, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Roberto Ribeiro. Apresentou-se em vários países da Europa, América do Norte e do Sul, África e Ásia.
Joel Zito Araújo
Cineasta, roteirista e Doutor em comunicação pela ECA/USP. Realizou 24 documentários e 22 média metragens. Destaca-se o documentário "A Negação do Brasil", do ano 2000, sobre a participação de atores negros na televisão. O filme mostra a contradição que vivemos no Brasil, um país marcadamente multirracial, mas que nas suas produções televisivas e cinematográficas se prende a uma estética do branqueamento. Diz Joel: “Você não pode discutir cidadania se o país não tiver orgulho da sua composição multiética, multirracial acial, multicultural”.
Fotos: Ierê Ferreira e Antônio Terra

Revista O Negro Em Cena

Luiz Melodia Uma Pérola Negra
Januário Garcia:
O decano dos fotógrafos afrocentrados
Por: Ierê Ferreira
Lélia Gonzalez:
Mulher negra na história do Brasil
Por: Ana Maria Felippe
17° Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Outras Diásporas Zózimo Bulbul

Editorial:
Completamos um ano de existência, entregando histórias e imagens que foram o tempero de seis edições ao longo dessa temporada.
Com vinte oito páginas em cada edição e, um site com reportagens muito bem elaboradas, nossa revista se tornou um documento essencial com o objetivo de destacar e promover a cultura negra, publicando trajetórias e contribuindo para o fortalecimento da luta contra o racismo.
Por isso, agradecemos a todos os colaboradores deste trabalho independente e feito com muito amor e dedicação.
Obrigado.
Agora, de mangas arregaçadas, entramos em 2025 cheios de homenagens em nossas páginas e já na primeira edição do ano, a capa é o negro gato Luiz Melodia e sua incomparável obra musical e temos também o decano dos fotógrafos afrocentrados, Januário Garcia.
Lélia Gonzalez é a Mulher Negra na história do Brasil. Artigo de Ana Maria Felippe e para fechar com chave de ouro nossa primeira edição do ano temos uma mostra do que rolou no 17° Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Outras Diásporas Zózimo Bulbul.
Sejam bem vindos e façam uma
boa viagem em nossas páginas.
Editor e fotógrafo: Ierê Ferreira
Colunista convidada: Ana Maria Felippe
Colunista e revisora: Sylvia Arcuri
Colunista: Iara Brandão Ferreira
Produtora: Daniele da Silva Araújo
O Negro Em Cena


Januário Garcia em noite de autógrafos com a companheira Ana Maria Felipe. Fotos: Ierê Ferreira
Januário Garcia:
o decano dos fotógrafos afrocentrados.
Aqui, viemos falar de um Mestre, militante e amigo que, por muitas vezes, nos recebeu com ideias e pensamentos lógicos sobre a fotografia que estávamos praticando, nos levando a entender a importância de enxergarmos e potencializarmos a imagem da comunidade negra, fortalecendo a luta contra o racismo.
Januário Garcia nasceu em Belo Horizonte, em 1943. Filho de Geralda da Mata Garcia e Januário Garcia. Foi um dos quatro filhos de uma família pobre, moradora da periferia da capital mineira. Seu pai morreu quando ele tinha 4 anos, sendo então criado, até os 12 anos, pela mãe que também faleceu ainda muito jovem, aos 36 anos.
Com essa perda, Januário resolveu sair pelo mundo sem destino. Chegou ao Rio de Janeiro com 13 anos e foi morar nas ruas e em um abrigo público da cidade.
Levado ao Serviço de Amparo ao Menor (SAM) aos 16 anos, Januário foi voluntário da Tropa de Paraquedas do Exército aos 17, onde fez curso de Infante Paraquedista e completou o ensino fundamental e médio. Foi, nessa ocasião, que comprou sua primeira câmera fotográfica Olympus para fotografar os colegas nos treinamentos no quartel e nas missões.
Após sair do quartel e sobreviver de outras atividades, Januário retornou à fotografia na década de 1970, iniciando sua carreira profissional, com o incentivo de Ana Maria Felippe, sua esposa. Formou-se em Comunicação Visual pela International Camaramen School e fez estágio no Estúdio Gamma sob orientação do fotógrafo George Racz, complementando a sua formação com cursos de extensão, entre eles: arte visual, história da arte e videomaker.
Fotografou para jornais alternativos e prestou serviços como freelancer para a grande imprensa, começando pela Tribuna e, com o tempo, para as demais redações: O Globo, Jornal do Brasil, O Dia, A Notícia, Revista JB e algumas publicações da Editora Bloch.

Em noite de autógrafos na companhia de Daude, Zezinho Andrades, Claudio Jorge, Benedita da Silva , Aduni Benton, Lene Devictor, Delanir Cerqueira, Carlos Medeiros, Altay Veloso, Estudantes e companheiras de militância. Com a Jornalista Luciana Barreto e o fotografo Milton Guran.
Fotos: Ierê Ferreira
Depois de montar seu estúdio, foi trabalhar com publicidade, encontrando as tradicionais barreiras que um negro precisa superar. Durante todo tempo que fotografou para publicidade, o único fotógrafo negro que encontrou, nessa área, foi Walter Firmo e tinha, ainda, uma referência do fotógrafo, José Medeiros. Trabalhou por muito tempo atendendo a várias agências no Rio de Janeiro. Com extenso trabalho nas áreas de publicidade, música e documentação de afrodescendentes em âmbitos social, político, cultural e econômico, Januário Garcia participava de importantes espaços de memória, arte e cultura do povo negro.
No mercado fonográfico, fotografou capas de discos icônicos como: “Alucinação” de Belchior; “Urubu” de Tom Jobim; “Eu Nasci a 10 Mil Anos Atrás” de Raul Seixas; “Perfil” de Chico Buarque; “ Essa Tal Criatura” Leci Brandão; Muito” Caetano Veloso e A Arte Negra de Wilson Moreira e Nei Lopes, entre outros.
Os trabalhos de Januário foram expostos em países como: Canadá; México; Bélgica; Senegal; Togo; Nigéria; Estados Unidos e Japão. Aqui, no Brasil, fez várias exposições e sempre que podia participava das projeções que produzíamos em bares e eventos culturais na cidade.
Foi amigo pessoal de Abdias Nascimento, Zózimo Bulbul e, em especial, de Lélia Gonzalez a quem também prestamos homenagem nesta edição.
Januário Garcia também atuou como presidente do IPCN Instituto de Pesquisa das Culturas Negras, foi membro do Conselho Memorial Zumbi e coordenador do Centro Cultural José Bonifácio, atualmente MUHCAB - “Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira”. É autor de mais de 100 mil fotos ao longo da carreira.
Publicou fotos nos livros; 25 ANOS DO MOVIMENTO NEGRO, DIÁSPORAS AFRICANAS NA AMÉRICA DO SUL e HISTÓRIA DOS QUILOMBOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.
Hoje, parte do seu acervo encontra-se sob os cuidados do IMS “Instituto Moreira Salles”.



Eu tive a honra de, por vezes, visitá-lo para conversarmos sobre os nossos projetos e aprender mais com ele, com suas fotografias e seus pensamentos afrocentrados.
Januário Garcia faleceu na noite de 30 de junho de 2021, em decorrência da COVID-19, deixando quatro filhos e um legado de imagens e pensamentos que seguem vivos em nossos corações e mentes.
Texto e fotos: Ierê Ferreira
Fonte da pesquisa: Wikipédia
Vantoem, eu e o nosso decano Januário Garcia. Fotos: Ierê Ferreira

O Negro Em Cena
O Negro Em Cena
Lélia Gonzalez: Nulher Negra na História do Brasil
Por: Ana Maria Felippe

Lélia Gonzalez nasceu "de Almeida", em Belo Horizonte-MG, em 1º de fevereiro de 1935. Tinha 59 anos quando faleceu, em 10 de julho de 1994, no bairro de Santa Teresa, na cidade do Rio de Janeiro.
Quando Lélia era criança, sua família instalou-se no Rio, na favela do Pinto, bairro do Leblon, ao lado do Clube de Regatas do Flamengo, onde jogava (e depois foi técnico) seu irmão, Jaime de Almeida (nascido em 1920), por quem nutria enorme admiração e nos passos de quem seguiu torcendo pelo Flamengo e gostando muito de futebol. Logo depois, a família mudou-se para o subúrbio, para uma casa em Ricardo de Albuquerque. Pela localização da residência, se percebe que Lélia viajou muito no trem suburbano da Central do Brasil, junto com o "povão" (como dizia), principalmente quando estudou no Colégio Estadual Orsina da Fonseca (ao lado do terminal da Central do Brasil, no centro da cidade) e no Colégio Pedro II (na Av. Marechal Floriano, também próximo a Central do Brasil).
Lélia era a penúltima de 18 irmãos/ãs; filha de pai negro (Acácio Joaquim de Almeida), ferroviário, e mãe índigena (Urcinda Seraphina de Almeida). À medida que irmãs e irmãos iam constituindo novas famílias, Lélia cuidava da mãe, já residindo na Tijuca, até o final dos anos 1960, quando Dona Urcinda faleceu. Casou-se aos 28 anos, para assumir definitivamente o sobrenome Gonzalez.
Nas escolas e nas faculdades (graduou-se em História/Geografia e Filosofia) era reconhecida pela dedicação e inteligência. O catedrático Tarcísio Padilha logo percebeu a capacidade daquela aluna negra e convidou-a para ser sua assistente, no curso de Filosofia, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e, mais tarde, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Como educadora, Lélia lecionou em muitas escolas de nível médio, em faculdades e universidades. Foi professora no Instituto de Educação, no Colégio de Aplicação (UERJ), na rede estadual de ensino.

Segundo a amiga Ana Maria Felippe, era uma das fotos de que ela mais gostava. Acervo pessoal
Pela inteligência e conhecimento que demonstrava na argumentação e por sua capacidade de comunicar e instigar alunos e alunas à reflexão, a professora negra foi muito bem recebida em escolas confessionais, tendo sido, também, professora convidada no Centro de Estudos de Pessoal, do Exército Brasileiro, por alguns anos.
No final dos anos 1960 e início de 1970, Lélia era uma assumida mulher negra: "Essa questão do branqueamento bateu forte em mim e eu sei que bate muito forte em muitos negros. Há também o problema de que, na escola, a gente aprende aquelas baboseiras sobre os índios e os negros; na própria universidade o problema do negro não é tratado nos seus devidos termos."
Foi em 1982 que Lélia escreveu "Lugar de negro", junto com Carlos Hasenbalg. E por que demoraria 12 anos para gritar, por escrito? Porque só em 1982 Lélia teria firmado na escrita que "O lugar natural do grupo branco dominante são moradias amplas, espaçosas, situadas nos mais belos recantos da cidade ou do campo e devidamente protegidas por diferentes tipos de policiamento: desde os antigos feitores, capitães do mato, capangas, etc., até a polícia formalmente constituída. Desde a casa-grande e do sobrado, aos belos edifícios e residências atuais, o critério tem sido sempre o mesmo. Já o lugar natural do negro é o oposto, evidentemente: da senzala às favelas, cortiços, porões, invasões, alagados e conjuntos "habitacionais" (cujos modelos são os guetos dos países desenvolvidos) dos dias de hoje, o critério também tem sido simetricamente o mesmo: a divisão racial do espaço?"
Antes de mostrar na escrita, Lélia mostrava na palavra, na oralidade. Na verdade (para usar uma expressão corrente em sua linguagem), sua proposta sempre foi falada. Quando compreendeu teoricamente a questão da opressão e da exclusão, Lélia continuou fazendo exatamente a mesma trajetória teórica e intelectual que seguia anteriormente, mas, nesse momento, ela se dedica à leitura dos pensadores negros, da história do povo negro, das rainhas negras, lendo e refletindo noite adentro.
A inteligência e a desenvoltura teórica - que continuou exercendo institucionalmente, como professora na Pontifícia Universidade Católica, até o final da vida, tendo sido eleita Chefe do Departamento de Sociologia, um mês antes - foi posta a serviço da realidade e da necessidade do povo negro e, em especial, das mulheres negras. Lélia passa a ser a grande referência teórica do Movimento Negro (principalmente do novo MN, nos anos 1970, que ajudou a fundar). É a primeira intelectual negra no país. É nessa condição que está citada no Dicionário "Mulheres do Brasil", na Enciclopédia Encarta Africana e, em "Mulheres Negras do Brasil. É nessa condição que tornou-se referência como matrona para grupos de mulheres negras, bibliotecas, salas de leitura, prêmios, escolas, jornadas, seminários, dentre outros, conforme consta na indicação das homenagens em seu site oficial www.leliagonzalez.org.br.
Lélia Gonzalez teve uma trajetória, permanente e irrestrita, na direção do conhecimento. Lia, elaborava e falava. Lia e falava nas línguas espanhola, francesa e inglesa. Pela fala, olho no olho, ela sabia que conhecimento buscar em sua riquíssima bagagem teórica (Filosofia, História, Teoria da Comunicação, Proxemia, Psicologia e Psicanálise, Antropologia, Sociologia, Teoria da Arte e Estética, Teoria dos Objetos, Política e Hermenêutica) para fazer com que o/a interlocutor/a compreendesse a questão "crucial". Ou, no embate político com brancos e brancas, ela buscava o contrapé teórico para dissuadir "brilhantemente" o/a adversário/a teórico/a ou ideológico/a. Sua capacidade de interpretação se mostrou na crítica às ideologias e à hegemonia de dominação (de lógica machista, branca e européia) que sempre forçou o povo negro ao lugar de submissão, de menor condição e capacidade.
Lélia não tinha paciência para a elaboração escrita, nos moldes acadêmicos. "No meu caso, fiz um tipo de escolha, que foi a militância de rua, participando de organizações negras, de seminários. Na medida em que nós, os intelectuais negros orgânicos, somos tão poucos, realmente existe um grande leque de atividades para poder responder às exigências que nos são colocadas.





O universo de conhecimento que Lélia trazia, forçosamente determinado por ela para a transformação do real, muito mais tem a ver com a oralidade africana de Griot, do que com a academia ocidental. Lélia representou uma Griot que conta histórias verdadeiras para seu povo. Ela falava e ensinava não só para preservar a história, mas, principalmente, para resgatar as genealogias, as origens e as tradições de seu povo, para que esse povo compreendesse a lógica da discriminação e alcançasse a consciência, resgatando o orgulho de si mesmo, para a superação da condição de exclusão em que havia sido colocado.
Foi na defesa desse povo que, dentre outras atividades, participou de seminários nacionais e internacionais que duraram, pelo menos, de 1975 a 1989. A necessidade de implementação e transformação, foi reconhecida pela atriz e política Ruth Escobar (presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher - CNDM, do qual Lélia era membro) que a indicou publicamente, em editorial do jornal Folha de São Paulo, para ocupar a vaga do Ministério da Cultura, em 1985.
Entre traduções de livros de filosofia, textos de palestras e "Lugar de Negro", Lélia deixou "Festas Populares no Brasil" premiado na Feira Internacional do Livro, de Leipzig, Alemanha, na categoria "Os mais belos livros do mundo", além de panfletos político-sociais, partidários, engajados, de muita reflexão. Seus escritos, simultaneamente permeados pelos cenários da ditadura militar e da emergência dos movimentos sociais, são reveladores de sua capacidade intelectual e identificam sua constante preocupação em articular as lutas mais amplas da sociedade com a demanda específica dos negros, das mulheres e dos homossexuais. A preocupação com os excluídos vai nortear suas campanhas para cargos públicos, em 1982 (PT, 1a suplente como Deputada Federal) e em 1986 (PDT, suplente de Deputada Estadual), tendo como principais referências as liberdades individuais e as transformações sociais.
Lélia sempre acreditou que uma sociedade solidária e fraterna é possível. Para isso, compreendia como necessário que, além do engajamento na luta política mais ampla, os grupos não dominantes, excluídos do poder, deviam produzir seu próprio conhecimento. Foi em razão disso que se dedicou ao estudo das culturas humanas, especialmente da cultura negra.
Ressalte-se que muitos de seus escritos e falas (grande parte de sua obra compõe-se de palestras gravadas ou textos), conjugando ciência e política (como poucos brancos e brancas podiam fazer) atuando contra o racismo e outras formas de preconceito, contribuíram para a formação acadêmica e cidadã de muitos dos que com ela conviveram direta ou indiretamente.
Na militância, Lélia participou da criação do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN-RJ), do Movimento Negro Unificado (MNU), em ámbito nacional, do Nzinga Coletivo de Mulheres Negras-RJ, do Olodum-BA, dentre outros. Depois de sua morte, muitos grupos apareceram no país, lançando seu nome, em homenagem. O Movimento Negro tem montado o Quilombo Lélia Gonzalez e Milton Santos nos vários encontros do Fórum Social Mundial. São muitas as referências que continuam sendo feitas a Lélia Gonzalez, em ámbito internacional e nascional. No subúrbio de Olaria (no Rio) o governo do estado deu o nome Lélia Gonzalez a uma escola de nível médio. Raquel Andrade Barreto, mestre pela Pontifícia Universidade Católica-RJ, defendeu a dissertação "Enegrecendo o feminismo ou Feminizando a raça: Narrativas de Libertação em Angela Davis e Lélia Gonzalez" (2005), além de Elizabeth Viana que defendeu dissertação de mestrado na UFRJ, sob o título "Relações raciais, gênero e movimentos sociais: o pensamento de Lélia Gonzalez (1970-1990)" (2006).
Um pouco do pensamento de Lélia Gonzalez:
Construção da identidade:
O importante é procurar estar atento aos processos que estão ocorrendo dentro dessa sociedade, não só em relação ao negro, ou em relação à mulher. Você tem que estar atento a esse processo global e atuar no interior dele para poder efetivamente desenvolver estratégias de luta. ...só na prática é que se vai percebendo e construindo a identidade, porque o que está colocado em questão, também, é justamente uma identidade a ser construída, reconstruída, desconstruída, num processo dialético realmente muito rico.
Frente Negra Brasileira /e/ a consciência racial no centro urbano:
O primeiro grande movimento ideológico pós-abolição, a Frente Negra Brasileira (1931-1938), buscou sintetizar ambas as práticas (assimilacionismo e prática cultural), na medida em que atraiu os dois tipos de entidade para o seu seio.
Por aí, dá para entender também o sucesso de sua mobilização. Afinal, ela conseguiu trazer milhares de negros para os seus quadros. Precedida pelo trabalho de uma imprensa negra cada vez mais militante, a FNB surgiu exatamente no grande centro econômico do país que era, e é, São Paulo.... Com isso estamos querendo ressaltar o seu caráter eminentemente urbano, uma vez que é o negro da cidade que, mais exposto às pressões do sistema dominante, aprofunda sua consciência racial.
As Escolas de Samba:
O golpe de 1964 implicaria na desarticulação das elites intelectuais negras, de um lado, e no processo de integração das entidades de massa numa perspectiva capitalista, de outro. As escolas de samba, por exemplo, cada vez mais, vão se transformando em empresas da indústria turística. Os antigos mestres de um artesanato negro, que antes dirigiam as atividades nos barracões das escolas, foram sendo substituídos por artistas plásticos, cenógrafos, figurinistas etc. e tal... Os "nêgo véio" da Comissão de Frente foram substituídos por mulatas rebolativas e tesudas. Os desfiles transformaram-se em espetáculos tipo teatro de revista, sob a direção de uma nova figura: o carnavalesco.
A responsabilidade na militância /e/ Candeia:
Papo vai, papo vem, ele (Candeia) nos presenteou com o folheto do enredo para o próximo carnaval: Noventa Anos de Abolição [para a Escola de Samba Quilombo, fundada por ele, junto com Lélia e outros/as, em 1975]. Fora escrito por ele, Candeia, "baseado nas publicações de Edson Carneiro, Lélia Gonzalez, Nina Rodrigues, Arthur Ramos (...), Alípio Goulart"... Surpresa e emocionada, disse-lhe que ainda não tinha um trabalho publicado digno de ter meu nome ao lado daqueles "cobras" (afinal, um artiguinho aqui, outro acolá, e de tempos em tempos, não significava nada). Ele retrucou, dizendo que sabia muito bem do trabalho que eu vinha realizando "por aí" e que isso era tão importante quanto os livros dos "cobras'. E foi aí, então, que me incumbiu de representar o Quilombo no Ato Público (contra o racismo). "Não importa o que você diga, que eu assino embaixo".
Pela primeira vez, para mim, alguém me fazia refletir sobre a responsabilidade que se tem quando se começa um trabalho "por aí".
O aparecimento do Movimento de Mulheres Negras:
Em 1975, quando as feministas ocidentais se reuniam na Associação Brasileira de Imprensa para comemorar o Ano Internacional da Mulher, elas ali compareceram, apresentando um documento onde caracterizavam a situação de opressão da mulher negra. Todavia, dados os caminhos seguidos por diferentes tendências que se constituíram a partir do "Grupão", esse grupo pioneiro acabou por se desfazer e suas componentes continuaram a atuar, então, nas diferentes organizações que se criaram.
Os anos seguintes testemunharam a criação de grupos de mulheres negras (Aqualtune, 1979; Luiza Mahin, 1980; Grupo de Mulheres Negras do Rio de Janeiro, 1982) que, de um modo ou outro, foram reabsorvidos pelo Movimento Negro. Todas nós, sem jamais termos nos distanciados do MN, continuamos nosso trabalho de militantes no interior das organizações mistas a que pertencíamos (André Rebouças, IPCN, SINBA, MNU etc.), sem, no entanto, desistir da discussão de nossas questões específicas junto aos nossos companheiros que, muitas vezes, tentavam nos excluir do nível das decisões, delegando-nos tarefas mais "femininas". Desnecessário dizer que o MN não deixava (e nem deixou ainda) de reproduzir certas práticas originárias de ideologia dominante, sobretudo no que diz respeito ao sexismo, como já dissemos. Todavia, como nós, mulheres e homens negros, nos conhecemos muito bem, nossas relações, apesar de todos os "pegas", desenvolvem-se num plano mais igualitário cujas raízes, como dissemos acima, provêm de um mesmo solo: a experiência histórico-cultural comum. Por aí se explica a competição de muitos militantes com suas companheiras de luta. Mas, por outro lado, por aí também se explica o espaço que temos no interior do MN. E vale notar que, em termos de MNU, por exemplo, não apenas nós, mulheres, como nossos companheiros homossexuais, conquistamos o direito de discutir, em congresso, as nossas especificidades. E isto, num momento em que as esquerdas titubeavam sobre "tais questões", receosas de que viessem "dividir a luta do operariado".
Fotos do Arquivo Januário Garcia /Instituto Moreira Salle


O texto escrito por Ana Maria Felippe esta baseado nas seguintes referências:
1 - O Pasquim (Entrevista), n° 871, 20 a 26/3/1986.
2 - Editora Marco Zero. Até onde podemos saber, a editora não existe mais.
3 - Lélia chegou a ver o modo especial como o "grupo branco", mais tarde, passou a se proteger com o fechamento de ruas, guardadas por vigilantes em guaritas.
4 - Referência explícita a Gilberto Freyre: "Casa Grande e Senzala" e "Sobrados e Mucambos". Lélia conheceu bem os escritos de Gilberto Freyre e não poupava a crítica direta ao "racismo cordial" que consta em sua obra.
5 - O Lugar de Negro, p. 15
6 - No vivido, Lélia sempre teve consciência do que era a opressão e a exclusão.
7 - Nos referimos ao Movimento Negro dos anos 1970 como "novo", para lembrar as lutas anteriores, como a Frente Negra Brasileira - 1931-1938, e o Teatro Experimental do Negro - 1944.
8 - SHUMAHER, Shuma; VITAL BRAZIL, Érico. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro, 2000.
9 - MSN Encarta - African American History - Gonzales, Lélia - "uma mulher afro-brasileira que foi pioneira na política brasileira e nos círculos acadêmicos, no que se refere às causas das mulheres e dos negros. ... É uma figura proeminente na vida intelectual do Brasil nos anos pós 1950. ... destacada como "professora negra"...

Lélia Gonzalez e Angela Davis nos Estados Unidos, em 1984.Acervo pessoal


Ativista dos direitos das mulheres no Brasil, Gonzales realçava a importância da educação para o desenvolvimento das mulheres negras...." (Gonzales, conforme grafado na enciclopédia)
10 - SHUMAHER, Shuma; VITAL BRAZIL, Érico. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2007.
11 - da entrevista concedida à revista SEAF (Sociedade de Estudos e Atividades Filosóficos), republicada em forma de depoimento, como homenagem, na UAPÊ REVISTA DE CULTURA N.o 2 - "EM CANTOS DO BRASIL" Editora Uapê , março 2000.
Foto: Cezar Loureiro

O Negro Em Cena
O Negro Em Cena
17° Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Outras Diásporas Zózimo Bulbul


Em 2024, O Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Outras Diásporas Zózimo Bulbul chegou com potência máxima, celebrando mais uma edição deste evento que, ao longo dos anos, se tornou uma referência na valorizacão de olhares negros resistentes, proporcionando trocas, conexões e reconhecimento.
Evento de abertura do 17° Encontro de cinema negro chegou com uma representação de Exú, no Cine Odeon, Ailton Krenak, Ana Maria Gonçalves, Laza, Cheick Oumar Sissoko, Biza Viana, Rahmatou Keita e Anice Lawson. Fotos: Ierê Ferreira



Vitor José, Antônio Pitanga, Biza Vianna, Benedita da Silva, Imagem do público, Crianças e pipas com o rosto do cineasta Spike Lee. Ana Maria Gonçalves com os cineastas Joel Zito Araújo e Luiz Antônio Pilar e imagem do telão, equipe, cineastas e público na Cinelândia e no Odeon.

O Negro Em Cena
Com mais de 120 obras de cineastas de vários países, além de atividades formativas em espaços culturais de excelência como o Cine Odeon, Museu do Amanhã e Museu de Arte do Rio o encontro cresceu e está cada vez mais forte e cumprindo o objetivo sonhado pelo seu criador Zózimo Bulbul que era “a valorização da cultura africana num intercâmbio de conhecimentos.
Acredito que o Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Outras Diásporas Zózimo Bulbul sempre foi e sempre será um portal mágico de idas e vindas nas trocas de ideias imagéticas de narrativas costuradas pela sétima arte. Sou um cidadão Afrocarioca de Cinema graças aos ensinamentos do mestre Zózimo Bulbul. Parabéns a toda a organização do maior encontro de cinema negro da America do Sul.






Imagens do público no Odeon, as apresentadoras do encontro Ella Fernandes, Dani Ornellas a percucionista Andrea Café e Pâmela Carvalho. A equipe de pesquisa do LEC-UFF e o coordenador Júlio Cezar Tavares.




Os homenageados: Ana Maria Gonçalves, António Pitanga, Ailton Krenak e Cheick Oumar Sissoko.
Fotos: Irei Ferreira

O Negro Em Cena
Luiz Melodia Uma Pérola Negra
Ao pesquisar o significado do nome Luiz, o primeiro resultado que apareceu foi GUERREIRO FAMOSO OU CELEBRE. Então vamos celebrar Luiz Melodia e a sua poesia.
Quem não respirar ar, ar
Com a força da certeza
Vai voar, vendaval
Bata com a cabeça.
Assim dizia o poeta na música “Bata com a cabeça” do álbum Mico de Circo de 1978 gravadora Som Livre.

Luiz Carlos dos Santos nasceu no Rio de Janeiro em 07/01/1951. Mais conhecido como Luiz Melodia, foi um ator, cantor, e compositor de MPB, rock, soul, blues e SAMBA. Filho do sambista e compositor Oswaldo Melodia, de quem herdou o nome artístico, cresceu no morro do São Carlos, no bairro do Estácio, região periférica da Pequena África.
Lançou seu primeiro LP em 1973, Pérola Negra.
Tente passar pelo o que estou passando
Tente apagar este teu novo engano
Tente me amar, pois estou te amando
Baby, te amo
Nem sei se te amo
Tente usar a roupa que estou usando
Tente esquecer em que ano estamos
Arranje algum sangue
Escreva num pano
Pérola Negra, te amo, te amo!
No "Festival Abertura", competição musical da Rede Globo, conseguiu chegar à final com sua canção "Ébano".
Meu nome é Ébano
Venho te felicitar sua atitude
Espero de te encontrar com mais saúde
Me chamam Ébano
O novo peregrino sábio dos enganos
Seu ato dura pouco tempo se tragando
Eu grito Ébano
O couro que me cobre a carne não tem planos
A sombra da neurose te persegue há quantos anos?
Começou sua carreira musical em 1963 com o cantor Mizinho, ao mesmo tempo em que trabalhava como tipógrafo, vendedor, caixeiro e músico em bares noturnos. Em 1964 formou o conjunto musical Os Instantâneos, com Manoel, Nazareno e Mizinho. Melodia passou a adolescência compondo e tocando sucessos da jovem guarda e bossa nova, com o grupo que tinha formado com amigos. Essa experiência, juntamente com a atmosfera em que vivia do tradicional samba dos morros cariocas, resultaram em uma mescla de influências que renderam a Luiz Melodia um estilo único, que chamou a atenção de um assíduo frequentador do morro do Estácio, o poeta Wally Salomão, além de Torquato Neto.
Através de Wally, Gal Costa acabou conhecendo um de seus compositores prediletos, o que resultou na gravação de “Pérola negra” no disco “Gal a todo vapor” de 1972. Pouco depois era vez de “Estácio, Holly Estácio”, ganhar sua interpretação na voz de Maria Bethânia. Foi nesta época que o artista assumiu então o nome de Luiz Melodia apropriando-se do sobrenome artístico de seu pai Oswaldo e lançou, no ano seguinte (1973), seu primeiro e antológico disco “Pérola Negra”. Sua postura, porém, mantinha a mesma irreverência e inquietude da do garoto que tocava iê-iê-iê nos berços de samba carioca, que lhe rendeu um estilo musical inconfundível, assim como críticas que o consideravam um artista “maldito”, ao lado de nomes como Fagner e João Bosco, que afirmou:
“Não éramos pessoas que obedeciam. Burlávamos, pode-se dizer assim, todas as ordens da casa, da gravadora; rompíamos com situações que não nos convinha. Sempre acreditei naquilo que fiz e faço.”

Luiz Melodia, Trik e Seu Jorge,
Músicos: Rodrigo Jesus, Huberto Araújo, Luiz Melodia, Netinho Albuquerque, Alexandro Cardoso, Alexandre Maioneze, Silvério Pontes, Charles da Costa e Renato Piau. Eu e Melodia, Omara Portando, Mart'nália e Maria Bethânia.
Fotos: Ierê Ferreira







Sua carreira acabou por consolidar-se no disco seguinte, “Maravilhas contemporâneas” (1976). Naquele disco, o poeta chegou com a música congênitos.
Se a gente falasse menos
Talvez compreendesse mais
Teatro, boate, cinema
Qualquer prazer não satisfaz
Palavra figura de espanto, quanto
Na terra tento descansar
Mas o tudo que se tem
Não representa nada
Tá na cara
Que o jovem tem seu automóvel
O tudo que se tem
Não representa tudo
O puro conteúdo é consideração
Nas décadas seguintes, Melodia lançou diversos álbuns e realizou shows no Brasil e na Europa. Em 1987, apresentou-se em Chateauvallon, na França, e em Berna, Suíça. Em 1992, participou do "III Festival de Música de Folcalquier", na França, e, em 2004, do Festival de Jazz de Montreux, à beira do Lago Leman, onde se apresentou no Auditorium Stravinski, palco principal do festival.
Em 2015, ganhou o 26º Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Cantor de MPB.
Único filho homem de Oswaldo e Eurídice, descobriu a música ao ver o pai tocando em casa. Apesar da precoce afinidade com a música, Luiz acabou contrariando seu pai, que sonhava vê-lo formado como doutor. No início ele não o apoiava, mas, não adiantava, até porque as coisas foram acontecendo e quando seu pai faleceu, Luiz sabia que tinha perdido um grande fã. Hoje, a poesia do Melodia sustenta relações de amores de novelas com todos os seus ingredientes.
O Negro Em Cena

Eu vi na rua
O seu coração sozinho
Estava bem no meu caminho
Eu não pude evitar
Tava fraquinho
Suplicando por carinho
Cravejado de espinhos
Uma cena de chorar
Trecho de Cura, canção de Luiz Melodia
Já conhecido do público e tendo alcançado seu espaço no cenário da MPB, Luiz Melodia lançou em 1980, o disco “Relíquias” e em 1985, fez uma releitura com novos arranjos para sucessos como “Ébano” e “Subanormal”. Já no registro intimista e intenso de “Acústico ao vivo” (1999), Melodia passeia novamente por sua obra, agora através da espontaneidade de um disco gravado durante sua turnê nacional, considerado sucesso de público e crítica.




Se alguém quer matar-me de amor
Que me mate no Estácio
Bem no compasso, bem junto ao passo
Do passista da escola de samba
Do Largo do Estácio.

O músico nos deixou na madrugada do dia 4 de agosto de 2017 e foi na quadra da Escola de Samba Estácio de Sá que eu e meu amigo Paulinho Sacramento fomos juntos a outros fãs cantar suas canções para ele seguir em paz para o Orum.
Luiz Melodia cumpriu sua missão com Louvor.
O Negro Em Cena

Vim de lá
Vim da praça mistério da raça, cachaça pra se beber
Se beber, qualquer um
No enredo da graça nós somos cachaça pra se beber
Se beber, lá do sul
Eu frequento Ipanema, sistema, cachaça pra se beber
Se beber
No sonho dos meus sonhos
Quando eu sonho, o mundo está pra se acabar
No fato, no relato
Quando eu faço, o mundo está pra se acabar
Quem não pisa na terra, não sente o chão
Luz é vida, é pulsação
Fotos: Ierê Ferreira















































































