
Revista O Negro Em Cena
Essa revista é pra você

ZÓZIMO BULBUL
A LUZ DO CINEMA NEGRO BRASILEIRO
Primeiro Fórum
O Negro em Cena
AGORA TAMBÉM RESTA UMA FOTO QUE O RETRATISTA DEIXOU
Mulheres negras sobre o olhar, a lente e o foco de Ierê Ferreira.
Por Sylvia Helena de Carvalho Arcuri
Na proxima Edição:
Ensaios especiais do fotógrafo Severino Silva
e Rio Maping Festival.

Editorial
"Viajar e sonhar me ajudou a canalizar minha coragem interior. Assim vou construindo e imprimindo nossas memórias ".


Apresentação:
O Primeiro Fórum Cultural O Negro em Cena aconteceu em 24 e 25 de março de 2007, na Marina da Gloria, e teve como maior objetivo apresentar o protagonismo negro através das suas artes: música, gastronomia, os Orixás, teatro, cinema , dança, moda, literatura e poesia, além das produções acadêmicas.
O negro em “cena” foi um grande fórum!
O anfitrião de um encontro aberto a todas as cores, que contou com os apoios da Rede Globo, Fundação Palmares, Prefeitura do Rio de Janeiro,Petrobras e Furnas.
Contou também com uma grande equipe de trabalho que fez do evento um marco para a comunidade negra no Rio de Janeiro.
Com a intenção de continuar fazendo circular a energia do projeto "O Negro em Cena", dedico esta fase do meu trabalho na construção desta revista com propósito de imprimir nossas memórias, a fim de informar e preservar nossas histórias e a dos nossos personagens.
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PIX: 21-984237151
Editor: Ierê Ferreira
Colaboradoras: Daniele da S. Araújo
Sylvia Arcuri e Iara Brandão Ferreira


Programação:
Exposição fotográfica: O Negro em Cena do Fotografo e produtor Ierê Ferreira.
Exposição: Orixás do Babalaô Roberto D’Otulú : descrição dos 16 principais Orixás do panteão, com vestimentas de gala.
Gastronomia: Degustação de culinária da comunidade quilombola de Machadinha do município de Quissamã /RJ.
Oficinas de dança e percussão: Grupo Kina Mutembua e Grupo Makala.
Seminário 1: Conhecer a África para entender o Brasil com o Embaixador Alberto da Costa e Silva.
Seminário 2: O que é Ação Afirmativa?
Cinema: Filmes "Vista a Minha Pele" e "Filhas do Vento" de Joel Zito Araújo e exibição dos programas "A Cor da Cultura – série Mojubá".
Roda de Samba: Grupo Terno de Cambraia, participações especiais de Ircéia Pagodinho, Renato Milagres, Dorina, Iracema Monteiro Edinho Oliveira, Leandro D'Menor, Efisom e Zé Luiz do Império.
Shows: Grupo de dança Makalá, Banda Farofa Carioca, Banda Afroreggae com participação de Preta Gil e show da cantora Rita Ribeiro.

Os homenageados que receberam o prêmio
O Negro em Cena:
Abdias do Nascimento
Destaca-se pelo engajamento na luta contra o racismo desde a década de 30. Entre suas inúmeras ações, funda o Teatro Experimental do Negro em 1944 Entidade que patrocina a Convenção Nacional do Negro em 45-46. Esta convenção propõe à Assembleia Nacional Constituinte de 1946 a inclusão de políticas públicas para a população afro- descendente e um dispositivo constitucional definindo
a discriminação como crime de lesa-pátria.
Gilberto Gil
Foi o Ministro da Cultura do Governo Lula no período deste projeto. Em 1968, com o LP “Gilberto Gil”, inicia o Tropicalismo. Ele e Caetano Veloso foram as principais figuras. Em 69 foi preso pela ditadura cívico militar e lançou uma de suas músicas mais famosas: “Aquele Abraço”. Partiu para o exílio na Inglaterra, voltando ao Brasil em 1972. Sua carreira internacional lhe rendeu vários prêmios, inclusive um Grammy na categoria Melhor disco de World Music em 1998, pelo álbum "Quanta Ao Vivo".
Dona Ivone Lara
Carioca, cantora e compositora desde os 12 anos de idade. Foi a primeira mulher a compor samba-enredo. Era madrinha da ala dos compositores de sua escola Império Serrano. Desfilava desde 1968 na ala das baianas. Os maiores intérpretes da música brasileira já gravaram sucessos de D. Ivone Lara. Entre eles, Gal Costa, Maria Betânia, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Roberto Ribeiro. Apresentou-se em vários países da Europa, América do Norte e do Sul, África e Ásia.
Joel Zito Araújo
Cineasta, roteirista e Doutor em comunicação pela ECA/USP. Realizou 24 documentários e 22 média metragens. Destaca-se o documentário "A Negação do Brasil", do ano 2000, sobre a participação de atores negros na televisão. O filme mostra a contradição que vivemos no Brasil, um país marcadamente multirracial, mas que nas suas produções televisivas e cinematográficas se prende a uma estética do branqueamento. Diz Joel: “Você não pode discutir cidadania se o país não tiver orgulho da sua composição multiética, multirracial acial, multicultural”.
Fotos: Ierê Ferreira e Antônio Terra

Revista O Negro Em Cena
Julho de 2024 - N°4

Cena da Peça
Sonho de Uma Noite de Verão.
Foto: Ierê Ferreira
ESCRAVIDÃO E REPARAÇÃO
Por: Ierê Ferreira
OS IMAGINÁRIOS TRANSCEDENTAIS
De: Carla dos Santos Fernandes
QUILOMBO DO BANDO
Texto e pesquisa: Ierê Ferreira e Sylvia Arcuri
LUIZ CARLOS DA VILA, “A PIPA”
Por: Cláudio Jorge

Editorial: O tráfico de pessoas sequestradas no continente africano e a escravidão no Brasil é uma grande ferida social que tem que ser reparada em todos os aspectos, para que possamos ter um futuro mais equilibrado e justo no país que foi construído com o sangue dos nossos ancestrais.
Na edição de julho de 2024, vamos juntos refletir sobre escravidão e reparação. Conhecer Os “Imaginários Transcendentais” de Carla dos Santos Fernandes. vamos saber mais sobre o Quilombo do Bando de Teatro Olodum, também conheceremos o ser humano que foi Luiz Carlos da Vila, “A Pipa”, através da sensibilidade das palavras do grande músico e parceiro Cláudio Jorge.
Sejam muito bem-vindos e façam uma boa viagem.
Editor e fotógrafo: Ierê Ferreira
Colunista e revisora: Sylvia Arcuri
Colunista: Iara Brandão Ferreira
Colaboradora: Daniele da Silva Araújo
Colunista nesta edição: Cláudio Jorge
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O Negro Em Cena
Escravidão e Reparação
Por: Ierê Ferreira
Ultimamente, venho tentando acompanhar as notícias sobre as atividades escravistas dos primeiros acionistas do Banco do Brasil no século XIX, até depois de abolida a condição de escravizados de nossos ancestrais. É muito relevante que a história da escravidão no Brasil seja estudada e compreendida em profundidade.
Um dos primeiros a abordar uma proposta de reparação por causa da escravidão no Brasil foi o ativista Yedo Ferreira, fundador do Movimento Negro Unificado e mais antigo ativista da Reparação da Escravidão Negra no Brasil. Yedo é também autor do livro “Projeto Político do Povo Negro Para o Brasil”, junto com Eustáquio Rodrigues. Este livro aborda a necessidade de reparação e inclusão, focando na cultura como agente de mudança social.
Recentemente, um estudo revelou o envolvimento do Banco do Brasil no tráfico de escravos durante o século XIX.
Esse documento foi elaborado por 14 pesquisadores das universidades brasileiras e americanas e integra um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro.



Yedo Ferreira, Elias José Bloco Afro Agbara Dudu
Foto: Ierê Ferreira




Fotos: Ierê Ferreira
De acordo com o estudo, o Banco do Brasil foi criado em 1808, liquidado 20 anos depois e refundado em 1853. Durante esse período, traficantes de escravos estavam diretamente envolvidos com o banco, sendo acionistas e diretores. Além disso, a instituição se beneficiou da dinâmica de circulação de crédito lastreada na propriedade escrava que imperou ao longo da primeira metade do século XIX.
Os historiadores concordam que o Banco do Brasil desempenhou um papel significativo na sustentação da economia mercantil escravista. José Bernardino de Sá, um dos maiores traficantes de escravos do país entre 1825 a 1855, era um dos fundadores e grandes acionistas do banco quando ele foi refundado em 1853. Essa pesquisa nos ajuda a entender melhor o papel histórico do Banco do Brasil e a importância de discutir reparações simbólicas e materiais relacionadas à escravidão.
Atualmente, o Banco do Brasil tem adotado uma postura de reconhecimento e reflexão sobre seu passado relacionado à escravidão. Embora não haja uma política oficial de reparações, a instituição tem se envolvido em debates públicos e iniciativas que visam abordar essa questão histórica. É importante ressaltar que o banco não é o único ator nesse cenário e a discussão sobre reparações envolve diversos setores da sociedade, incluindo o governo, organizações não governamentais e movimentos sociais. A conscientização e o diálogo contínuo são fundamentais para avançarmos na busca por justiça e reparação.
Banco do Brasil no tráfico de escravos durante o século XIX.



Fotos: Ierê Ferreira da serie Retratos da nossa cor e Cais do Valongo onde chegaram aproximadamente hum milhão de escravizados.
Além do Banco do Brasil, outras instituições financeiras também têm sido objeto de estudos sobre sua relação com a escravidão. Por exemplo, universidades e bancos nos Estados Unidos e Inglaterra reconheceram seu papel na escravidão e criaram medidas de reparação, que incluem fomento a pesquisas acadêmicas e indenizações. Essa discussão é importante para que possamos compreender melhor o passado e a nossa ancestralidade.
No carnaval, escolas de samba e blocos progressistas fazem suas manifestações contra os preconceitos e, em 2024, não foi diferente, boa parte das escolas de samba trouxeram temas históricos e de religiões de matrizes africanas. Com uma postura mais direta, o Grupo Afro Agbara Dudu desfilou pelas ruas de Oswaldo Cruz, Madureira e pelo Cais do Porto com o tema REPARAÇÃO JÁ, uma atitude firme neste processo fundamental e necessário.
O Nome Agbara Dudu significa em yorubá “Força Negra”, fundado em 04 de Abril de 1982 no bairro de Oswaldo Cruz, hoje o Agbara é coordenado por Elias José Alfredo, um operário do Metrô RJ, que é filiado ao PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), MNU (Movimento Negro Unificado) e que pela militância, chegou a presidência do Simerj (Sindicato dos Metroviários do RJ), o primeiro negro a presidir esse sindicato. Ele também é cantor, compositor e coordenador do Samba do Buraco do Galo. Elias é um membro da sociedade civil que estuda as atuais conjunturas de gênero, raça e classe e as formas de reparação que o Brasil deve adotar nessa luta.
Com esse artigo a revista, O Negro Em Cena, presta mais essa contribuição, somando valores no combate ao racismo e às desigualdades sociais que estamos enfrentando desde o sequestro de nossos ancestrais.
Fontes:
https://jornalggn.com.br/cidadania/estudo-revela-apoio-banco-do-brasil-escravidao-seculo-xix/
O Negro Em Cena
Os Imaginários Transcendentais de Carla dos Santos Fernandes

Me chamo Carla dos Santos Fernandes, carioca, tenho 36 anos, sou artista plástica e professora de desenho e pintura realista. Atualmente, sou pupila do Mestre Renato Ferrari, fundador do Atelier de Pintura Realista, na Tijuca onde leciono. Também sou artista residente no Espaço Travessia, no Instituto Municipal Nise da Silveira.
Meus trabalhos são
principalmente de estilo figurativo, os personagens que protagonizam minhas composições são negros e são retratados em cenas do cotidiano ou cenas de personagens do imaginário e transcendentais. Minhas obras refletem todos os meus pensamentos e sentimentos sobre o que me afeta na sociedade, sobre as injustiças, sobre como é demorado e difícil uma mulher preta construir uma autoestima e se reconhecer como potência, sobre as desigualdades, sobre diáspora: indignação, orgulho, ancestralidade, interferência da herança religiosa africana, admiração e beleza retratados através de pele retinta e traços negróides.

Minha relação com a arte vem desde criança, ainda na fase de alfabetização eu gostava de registrar, nas folhas do meu caderno, as cenas e rostos que eu via ao meu redor.
Tive a breve oportunidade de estudar desenho artístico aos 12 anos, foi proveitoso e eu comecei a trabalhar com encomendas de retratos e painéis de festas durante a minha adolescência. Apesar de todo o empenho e envolvimento com os desenhos, eu enfrentei muitos problemas financeiros com minha família. Então, ao terminar o ensino médio, de forma estratégica decidi cursar direito e deixei o sonho das artes plásticas.
Depois de formada em Direito, enquanto exercia carreira jurídica, voltei gradativamente a desenhar e, após longos anos, comecei a pintar e estudar realismo no atelier do meu mestre. Exerci advocacia por 12 anos e nunca me senti feliz na carreira. Nos últimos anos, ainda exercendo Direito, fui trabalhando com a pintura e lecionando no atelier. Há aproximadamente um ano e meio, me entreguei integralmente ao ofício da arte com coragem e certeza.




Viver de arte não é fácil, mas eu não teria legitimidade em outra posição na vida.
O Negro Em Cena
QUILOMBO DO BANDO
Texto e pesquisa: Ierê Ferreira e Sylvia Arcur


Com a finalidade de continuar o caminho do aquilombamento construído por Abdias Nascimento na criação do TEN “Teatro Experimental do Negro”, o Bando de Teatro Olodum, fundado em 17 de outubro de 1990, em Salvador por atores e atrizes baianos, sacudiu a cena com peças que versavam sobre resistência negra, trazendo também uma explosão de talentosos artistas, tornando-se a companhia negra mais conhecida, popular e de maior longevidade na história do teatro baiano, que hoje compõe a cena e derruba as barreiras dos preconceitos.
O Bando de Teatro Olodum nasceu a partir de uma parceria entre o diretor Marcio Meirelles e o Grupo Cultural Olodum.
Com total autonomia em seu repertório, o Bando produziu peças e esquetes teatrais que chegaram até as telas de cinema e televisão, derrubando muitas barreira e preconceitos, pois as críticas não pouparam em dizer que era um grupo de pessoas comuns, encenando suas próprias vidas, como se a vida, a cultura e o cotidiano do negro não fossem importantes e não fizesem parte da sociedade. Muitas vezes, é nesse contexto que se dá o apagamento das nossas histórias.
Entretanto, o preconceito não impediu o grupo de se impor e contribuir de forma relevante para a inclusão de temas sociais e políticos na vida cultural baiana e do país. O foco principal sempre foi o combate ao racismo assim como no TEN “Teatro Experimental do Negro. O primeiro espetáculo estreou no dia 25 de janeiro de 1991. A comédia inaugural, Essa É Nossa Praia, encenada pelo Bando e dirigida por Marcio Meirelles e pela diretora francesa Chica Carelli (co-fundadora da companhia), chegou ao palco com 22 atores que apresentaram as narrativas sobre o cotidiano sociocultural de Salvador, a cidade mais negra do país. A companhia também deu o primeiro passo para consolidar uma dramaturgia própria, com textos escritos por Marcio Meirelles a partir de improvisos do elenco.
Seis meses após lançar a primeira peça, a companhia levou ao palco a montagem Onovomundo, que faz uma incursão pelo sagrado, através da abordagem cênica das nações do Candomblé da Bahia. Em 1992, retornou ao universo do Pelourinho, desta vez voltando-se para dentro dos cortiços da área, a fim de pesquisar o material dramatúrgico.
A peça “Ó Paí, Ó”, também foi montada pela primeira vez em 1992 e marcou a estreia de Lázaro Ramos no grupo, revelou também o ator Érico Brás e a cantora baiana Virgínia Rodrigues, entre outras feras da dramaturgia.
Em 1994, o Bando lançou, Bai Bai Pelô, completando a sua trilogia sobre o universo sociocultural do Pelourinho, sendo um dos seus maiores sucessos: a tragicomédia Ó, pai, Ó! que inspirou, na década seguinte, um filme homônimo, dirigido em 2007 por Monique Gardenberg, e um seriado exibido pela TV Globo em 2008 e 2009 (com direção geral de Gardenberg), indicado ao Emmy Internacional, a maior premiação de TV no mundo.
A partir desse trabalho, o elenco solidificou sua militância negra com temas que denunciavam, de forma contundente, a discriminação racial. Centrou foco na realidade social das invasões e favelas do país com Zumbi (1995), escrita em parceria com a dramaturga baiana Aninha Franco; no trágico episódio da Chacina da Candelária (RJ) em Erê pra Toda a Vida/Xirê (1996), o primeiro espetáculo de dança do Bando; na reflexão sobre negritude e consumo no fenômeno de popularidade Cabaré da Raça (1997) e na violência urbana em Relato de uma Guerra que (não) Acabou (2002).

Ao longo do seu percurso, agregou ao repertório grandes textos da dramaturgia universal. E encheu de fusões com a cultura baiana o clássico Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare (1564- 1616), com o qual ganhou o Prêmio Braskem de melhor espetáculo adulto de 2006, realizado anualmente em Salvador.
Nas encenações de temática afrodescendente, merece destaque, ainda, Áfricas (2007), primeira montagem do seu repertório dedicada ao público infanto-juvenil, e Bença (2010), que reflete sobre o tempo e a morte.
A companhia tem representado o Brasil com suas peças em vários eventos internacionais, como o Out of Lift (London International Festival of Theatre) em Londres (1996), a Estação Cena Lusófona em Portugal (2003), a Semana de Teatro em Angola (2006) e a Copa da Cultura na Alemanha (2006).
Além das incursões pela dança, cinema e televisão, o grupo tem dois livros publicados: Trilogia do Pelô, de Marcio Meirelles e Bando de Teatro Olodum (1995) e O Teatro do Bando: Negro, Baiano e Popular (2003), do jornalista Marcos Uzel. O Bando é também responsável pelas edições do Fórum Nacional de Performance Negra, em parceria com a Cia. dos Comuns (RJ), grupo que irá compor essa trilogia do Quilombo Teatral que nossa revista apresentará na próxima edição e como se diz no palco antes da estreia; MERDA para todos.
Texto e pesquisa: Ierê Ferreira e Sylvia Arcuri
Fonte: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo410140/bando-de-teatro-olodum
Cenas da peça O Cabaré da Raça
O Diretor Márcio Meirelles e Taís Araújo, Virgínia Rodrigues, Lazaro Ramos e o coreógrafo Zebrinha.
Fotos: Ierê Ferreira





FICHA TÉCNICA:
TEXTO: WILLIAM SHAKESPEARE
TRADUÇÃO: BÁRBARA HELIODORA
DIREÇÃO: MARCIO MEIRELLES
COREOGRAFIA: ZEBRINHA
MÚSICA E DIREÇÃO MUSICAL: JARBAS BITTENCOURT
DESENHO DE SOM: FILIPE PIRES
CENÁRIO: MINIUSINA DE CRIAÇÃO
ILUMINAÇÃO: FÁBIO ESPÍRITO SANTO E RIVALDO RIO
CONCEITO DO FIGURINO: MARCIO MEIRELLES
Túnicas femininas, texturização das roupas, adereços e maquiagem: LUIZ SANTANA
Figurino e adereços da "Breve cena de tédio sobre Píramo e Tisbe": ZUARTE JUNIOR
PROJETO GRÁFICO: MARCIO MEIRELLES
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: CHICA CARELLI
ELENCO:
AURISTELA SÁ; (Titânia/Hipólita ou Fada)
CLÉSIA NOGUEIRA (Fada e percussão)
EDNALDO MUNIZ (Sanfona/Tisbe e percussão)
ELANE NASCIMENTO (Hérmia e vocal)
ÉRICO BRÁS (Teseu/Oberon, percussão e cavaquinho)
FÁBIO SANTANA (Demétrio e percussão)
GERIMIAS MENDES (Justinho/Leão)
JAMILE ALVES (Helena e vocal)
JORGE WASHINGTON (Bobina/Píramo)
LENO SACRAMENTO (Lisandro, teclado e percussão)
MERRY BATISTA (Fada)
REJANE MAIA (Fada)
S. L. LAURENTINO (Egeu, Oberon e percussão)
TELMA SOUZA (Fada, percussão e cavaquinho)
VALDINÉIA SORIANO (Titânia/Hipólita ou Fada).
AC COSTA (Bicudo/Muro)
CELL DANTAS (Fominha/Lua, cavaquinho e baixo elétrico)
DAILTON SILVA (Puck, baixo elétrico e percussão)
INÁCIO D'EUS (Quina/Prólogo)
RIDSON REIS (Puck e percussão)
REALIZAÇÃO: BROBSON MAURO (Filostrato, Oberon e percussão)
ROQUILDES JUNIOR (Puck, percussão e cavaquinho)
MÚSICOS:
MAURICIO (guitarra e cavaquinho)
NINE (percussão)
BANDO DE TEATRO OLODUM E TEATRO VILA VELHA
Cenas da peça Sonho de Uma Noite de Verão
Fotos: Ierê Ferreira





O Negro Em Cena




Cenas da peça Bença
Fotos: Ierê Ferreira



O Negro Em Cena
LUIZ CARLOS DA VILA, “A PIPA”
Por: Cláudio Jorge

Meu amigo Ierê, editor da revista “O Negro em Cena”, me presenteou com dois prazeres para eu viver numa canetada só: eu assinar um artigo na revista e um artigo sobre Luiz Carlos da Vila.
A primeira coisa que me lembrei foi quando me procuraram anos atrás para dar um depoimento sobre Luiz, cerca de um ano depois de seu falecimento. Fui leve e fagueiro para a filmagem e na primeira pergunta que me fizeram comecei a chorar.
Estou me sentindo meio assim nesse início de crônica. É uma dor que não passa, uma saudade imensa de um cara que juntou na sua personalidade, um grande compositor e um ser humano ímpar. Um parceiro meu, um irmão meu.
Eu sempre repito, sem medo de errar, que Luiz Carlos da Vila está entre os maiores letristas da música popular brasileira, não devendo nada a nenhum dos considerados grandes. Primeiro porque traz com ele a história e comportamento do negro brasileiro, carioca, suburbano, acostumado a conviver com obstáculos, altos e baixos, identificado com o time de futebol que escolheu para ser torcedor, o Botafogo, tal qual este que aqui rabisca.
Segundo por ser um poeta pleno, no sentido de que não só escrevia, mas vivia poeticamente, em estado de poesia, uma poesia “daviliana”, que criava em letras, imagens que, às vezes, nos remetiam a um Salvador Dali. Só ele, entre os grandes, tinha essa cabeça, essa “loucura” criativa, com uma linguagem o mais próximo possível da fala do povo, mas com tramas, armadilhas de construção no uso das palavras, que em muitos casos pensávamos que ele tinha escrito errado.
Terceiro porque Luiz, cantava, sambava de um jeito peculiar que agradava a quem assistia, e tinha uma onipresença que o fazia aparecer em vários lugares em curto espaço de tempo. Luiz era das pessoas, das festas, do sorriso frequente, das rodas de samba de Niterói, da Penha, do Cacique, de São Paulo. Das caras sérias e de olhar distante quando estava matutando filosoficamente sobre um passarinho, uma planta, uma pipa. Se eu tivesse que escolher ser uma coisa escolheria ser pipa, disse ele uma vez.
Também das caras sérias quando ficava puto com alguma coisa, Luiz era um ser humano livre, quando sabemos que a maior liberdade que se tem é aquela que vem de dentro. Só fazia o que queria. Livre, mas com um alto senso de responsabilidade quando o assunto era família, quando o assunto era incentivar os que estavam ao seu redor a procurar a perfeição, o trabalho bem-feito, mesmo que não se exigisse tanto para ele mesmo, mas ele achava importante ver isso realizado pelos seus.
Falar da música de Luiz Carlos da vila, não preciso, é para ser ouvida, e ela está por aí nos discos, nos bares, nas rodas, nas vozes de tantos sambistas, de tantos intérpretes importantes, correndo o mundo, livre, como ele deve estar agora.
Mas é importante falar que é preciso falar de Luiz Carlos da Vila. Se em vida ele não teve o reconhecimento profissional que ele gostaria, que se faça justiça em relação a sua obra, ao seu talento, a sua personalidade. O Rio de Janeiro merece, o Brasil merece, a cultura negra merece. Que Luiz Carlos da Vila esteja eternamente em cena.


Luiz Carlos da Vila, Luizinho Toblow, Walter Alfaiate e Cláudio Camunguelo, Nei Lopes e Cláudio Jorge.
Fotos: Ierê Ferreira

Falar da música de Luiz Carlos da vila, não preciso, é para ser ouvida, e ela está por aí nos discos, nos bares, nas rodas, nas vozes de tantos sambistas, de tantos intérpretes importantes, correndo o mundo, livre, como ele deve estar agora.
Mas é importante falar que é preciso falar de Luiz Carlos da Vila. Se em vida ele não teve o reconhecimento profissional que ele gostaria, que se faça justiça em relação a sua obra, ao seu talento, a sua personalidade. O Rio de Janeiro merece, o Brasil merece, a cultura negra merece. Que Luiz Carlos da Vila esteja eternamente em cena.


O QUE QUER DIZER SAUDADE
(Cláudio Jorge)
“O que quer dizer saudade?
Saudade é assim:
É tão ruim de se falar.
A gente sente, mas não tem como explicar
Para se sentir saudade
Basta se perder, basta não encontrar
É sentimento inevitável quando chega
Todo sofrimento vai e vivemos a perda
Vejam por exemplo, do jeito que ficou
Foi um vento frio no calor
Corte tão profundo que ninguém previa
Deixando a raiz sem chão sem tua poesia
Esse é o enredo que a lembrança desfila
Saudade minha gente, é Luiz Carlos da Vila.
O Negro Em Cena

Ao Nosso Amor Maior
Composição: Luiz Carlos da Vila / Wilson das Neves
Todo céu era de anil
Todo um valia mil
Qualquer anel já nos casava
Água fresca no cantil
Mãe e mão, mesmo sem til
o nosso amor acentuava
Bomba que não explodiu
Moça que ouvindo um: psiu
No sorriso estancava
A vitória com louvor
Safra boa ao lavrador
E que se eternizava
Ave que escapuliu
Ganhando o céu se abriu
Liberdade que chegava
A magia do amor
Do amor maior, sublime amor
Que o mundo todo esperava
Vai ficar assim e até melhor
Nada de pôr fim ao nosso amor maior
Os dois sempre irão no ir e vir
Dó, Ré, Mi, Fa, sol, La, Si
Si, La, Sol, Fa, Mi, Ré, Dó
Era palco pro ator
Microfone pro cantor
O de menos que somava
Tela e tinta pro pintor
No momento inspirador
Que até Deus se inspirava
Batucada no apogeu
Luna, Marçal e Eliseu
Que a plateia adorava
Dia de festa no mar
Para saudar Iemanjá
Que ao povo abençoava
Preta Velha abençoou
O terreiro se abraçou
E o batuque anunciava
Vento ruim, vento levou
A poeira assentou
Era o amor quem festejava




























































































