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Altay Veloso: Alabê O Poeta

Ierê Ferreira texto e fotos

Café Com Canela

Por: Vitor Dassiê

GAZA a Nakba

Por: Vik Birkbeck

Planet Rock: novos Tambores chegam à Terra Brasilis".(Parte 2)

Por Zulu_King TR DJ

Exposição Afro Imaginarte

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Editorial

Com o mundo em ebulição de guerras físicas, políticas, comerciais, virtuais e frias, chegamos na edição de número oito, com muitas esperanças de dias melhores, pedindo aos DEUSES e ORIXÁS que iluminem os nossos caminhos e Inspirados nas mais lindas canções e palavras do Alabê de Jerusalém e de seu criador, o cantor, músico, escritor e ator Altay Veloso, nosso homenageado nesta resistente revista.

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Também condenamos o genocidio absurdo na faixa de Gaza com o artigo lúcido e esclarecedor da nossa colunista convidada Vik Birkbeck e fotos de tirar o fôlego do fotógrafo de guerras Hosny Salah.

 

Seguimos com a nossa Trilogia do RAP, "Planet Rock: novos Tambores chegam à Terra Brasilis" (Parte 2). Por: Zulu_King TR DJ colunista convidado.

 

O cinema Brasileiro mais uma vez ganha destaque em nossa revista, onde o colunista convidado Vitor Dassiê faz uma profunda análise do lindo filme Café com Canela.

 

Sejam bem-vindos, façam uma boa viagem em nossas páginas.

 

Equipe editorial:

Editor e fotógrafo: Ierê Ferreira

 

Colunista convidado: Zulu_King TR DJ, Vik Birkbeck e Vitor Dassiê

 

Colunista e revisora: Sylvia Arcuri

 

Produtora: Daniele da Silva Araújo

 

Essa revista é para você!

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O Negro Em Cena

GAZA: a Nakba

Por: Vik Birkbeck

Fotos: Hosny Salah

A Nakba marca o início da destruição da pátria palestina.

A Catástrofe dos Palestinos aconteceu em 1948. Com a Declaração Balfour, antes da Segunda Guerra, a Inglaterra tinha reconhecido o direito dos sionistas de criar um Estado na Palestina. Uma comissão da ONU veio parcelar o país, sem ouvir os habitantes.

O sionismo tem muitas semelhanças com o nazismo. São ideologias do final do século XIX início do XX surgidos do mesmo canto da Europa, privilegiando um único grupo humano e empregando a estratégia de genocídio. Foram tão próximas que os sionistas fizeram um tratado com os nazistas em 1933 o Acordo Haavara, para a transferência de 60.000 judeus alemães para a Palestina, entre 1933 e 1939. Muitos judeus não concordavam com a ideologia dos sionistas e o holocausto nazista foi útil para convencê-los a ir para Israel.

O projeto dos sionistas, desde o início, era a criação de um Estado judaíco exclusivo. Esse projeto antecede, por décadas, à Segunda Guerra Mundial. Em 1947 pré-nakba, a população da Palestina consistia em: 61% de muçulmanos; 31% de judeus e 8% de cristãos. A divisão oficial da ONU designou 55% das terras da Palestina para Israel, mas eles queriam muito mais. Antes do fim do mandato britânico já desencadearam o terror, expulsando os palestinos tanto das cidades como das aldeias. Tem inúmeros relatos de massacres como de Deir Yassim, Lydda, Abu Shusha, Safsaf e Tanturra. Homens foram fuzilados, mulheres estupradas e as casas das aldeias demolidas. Mesmo nas áreas onde a convivência entre palestinos árabes e judeus já duravam décadas, a destruição corria solto. Até 1950 os israelenses tinham invertido totalmente o equilíbrio demográfico da área. Os árabes palestinos foram expulsos para campos de refugiados, na Cisjordânia sob o reino da Jordânia e Gaza sob o domínio do Egito. Os israelenses reescreveram a história da região. Embora a ONU declarasse o direito de retorno do povo palestino, Israel jamais permitiu, se apossando não somente das terras cultivadas mas, também, dos negócios, padarias, comércios, restaurantes e bancos palestinos e nunca houve qualquer tipo de reparação. A acusação de anti-semitismo que os israelenses fazem contra quem defende a Palestina não procede, tanto os palestinos quanto os judeus do Oriente Médio são povos semitas. Os imigrantes da Europa e dos Estados Unidos não são semitas e sim Ashkenazi, como a maior parte da elite israelense.

A cúpula sionista espalhou o mito dos indefesos judeus cercados por países árabes hostis. Enquanto os palestinos continuavam a reivindicar o direito, oficialmente garantido pela ONU, de retorno às suas casas. Israel construiu colônias ilegais, às pressas, nas terras palestinas e criou mecanismos para incentivar a migração de judeus americanos e europeus para o novo Estado de Israel. A legislação restringe a cidadania de Israel aos judeus. Os palestinos não são mais cidadãos na sua própria terra, vivendo sob um regime de controle militar brutal.

O genocídio é a consequência inévitavel dessa doutrina. A matança de crianças em Gaza ultrapassa todas as guerras do mundo. Os médicos relatam crianças alvejadas na cabeça por franco-atiradores israelenses, ou por drone quadricóptero. Já foram 19.000 crianças mortas identificadas, além de um sem-número enterradas debaixo dos escombros das suas casas. Há relatos de adolescentes baleados nos genitais, mulheres grávidas abatidas, nos bombardeios dos hospitais.

Gaza é o primeiro genocídio de live-stream da história. O mundo acompanha o massacre graças à coragem e trabalho incansável dos jovens jornalistas palestinos. Desde o início, Israel tem impedido a entrada da imprensa internacional. De fato, o colete azul de imprensa virou alvo das forças israelenses em Gaza, que já assassinaram 230.

A palavra dos jornalistas é reforçada pelos testemunhos dos médicos internacionais, servindo como voluntários em Gaza. Mais de 1.200 médicos e enfermeiros já foram vitimados.

A torrente de imagens da barbárie israelense tem gerado protestos mundo afora, sobretudo dos jovens ligados ao instagram, tiktok, entre outras redes, mas os líderes políticos têm se mostrado mais interessados em faturar com a venda de armamentos e a grana dos lobbies israelenses como AIPAC nos EUA - “Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel”.

É gritante a hipocrisia da imprensa ocidental. É como se os 77 anos de massacre dos palestinos não contassem. Existem milhares de palestinos detidos nas cadeias israelenses sem qualquer acusação, incluindo mulheres, anciãos e até crianças, mais os israelenses sequestrados pelas forças de Hamas em outubro de 2023 que são “reféns”. Os israelenses têm derrubado todas as tentativas de negociação e quebram unilateralmente o cessar-fogo, pois estão mais interessados em prosseguir com sua matança do que em soltar os reféns.

Há dois meses 2 milhões de palestinos de Gaza também enfrentam a falta de comida, água potável, medicina e combustível com as fronteiras fechadas pelas tropas israelenses.

Do outro lado, centenas de caminhões carregados com ajuda humanitária procedente de todos os países do mundo, esperam.

O único “crime” dos palestinos é de serem os donos da terra que os sionistas resolveram transformar na terra de Israel, terra prometida, seguindo uma mitologia bizarra que remete ao Velho Testamento, utilizando a hipótese de autodefesa que não procede no caso de uma ocupação ilegal. Israel já pulverizou todas as escolas, universidades, hospitais, abrigos das próprias Nações Unidas, estradas, padarias, plantações, estufas e a maior parte dos prédios residenciais de Gaza, lembrando que a extensão inteira da Faixa de Gaza, onde já jogaram o equivalente a duas bombas atômicas, é comparável com a extensão da Barra de Tijuca. Será que o mundo vai continuar realmente de mãos abanando até a “solução final” de Netanyahu? Parece que só tem duas maneiras de frear os israelenses: boicote econômico e um embargo geral no envio de armas. Já ficou claro que Israel tem absoluta certeza da sua impunidade de qualquer lei internacional.

Agora, pessoas do mundo todo estão chamando para uma marcha de Gaza até a cidade fronteiriça de Rafah onde os caminhões de ajuda humanitária para Gaza estão parados.

Com protestos pelo mundo inteiro, parece que a população mundial não vai mais esperar ações dos seus governos. O presidente Lula, já se declarou contra o genocídio diversas vezes.

Criador: TexBr | Crédito: Getty Images

O Negro Em Cena

O ano de 1992 representou um marco importante para o Rio de Janeiro, sendo o local de realização da "Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento", também conhecida como ECO-92 ou Rio-92. Ocorrido entre 3 e 14 de junho, a ECO-92 foi uma das maiores conferências ambientais da história, com a participação de chefes de Estado e representantes de vários países. No entanto, o RAP do "Artigo 288", grupo oriundo de Padre Miguel, Zona Oeste da cidade, trouxe uma visão diferente dos fatos alertando a sociedade sobre os problemas velados: "ECO-92/ No país onde o povo come só feijão com arroz", dizia o refrão da letra que denunciava o que estava por trás do cartão postal.

Lançado nesse mesmo ano, o "Jornal Afroreggae Notícias" significou o ponto de partida para o Grupo Cultural AfroReggae, cuja finalidade desde então é promover a inclusão social e combater o preconceito através da arte e cultura das favelas cariocas.

ECO 92

A publicação serviu como um veículo para expressar a visão do grupo, abrindo portas para a Cultura HIP-HOP através da coluna do rapper "Big Richard", do Rio Cumprido, e líder da Associação Atitude Consciente (ATCON) – coletivo cultural que passou a reunir nomes do RAP como Artigo 288, Ryo Radikal Repz, Spike E, Olho Negro, Damas do RAP, Paula Diva, N.A.T., Ponto 50, Grupo Consciente de Break da Rocinha (GBCR), Consciência Urbana, Filhos do Gueto, Poesia Sobre Ruínas, Geração Futuro (onde MV Bill era líder), entre outros artistas organizados no Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), em suas reuniões aos sábados na sede da entidade, no bairro da Lapa, no centro do Rio.

Damas do Rap, MV Bill, Banda Nocalte, Gabriel Pensador,  Marcelo D2 e GBCR 

Fotos: Ierê Ferreira

Grupos internacionais como Rage Against the Machine, Cypress Hill, Public Enemy e Body Count experimentaram valiosas fusões entre o Rock e o RAP trazendo inspirações para o surgimento de bandas nacionais como "Planet Hemp", formado inicialmente por Marcelo D2 e Skunk que tinham a região central da Lapa como o seu reduto; enquanto a "Nocaute", de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, formada por Nino Rap e Eddi MC trazia além das letras desmedidas a habilidosa "Sista Wolf" no comando da bateria... Foi a vez também de "Gabriel O Pensador" ganhar notoriedade na cena do RAP com a sua música "Tô Feliz (Matei o Presidente)", que se tornou um grande sucesso lançado pela extinta RPC FM, durante uma madrugada, após o programa RPC Megamix do DJ Memê. Embora tenha sido censurada devido ao seu tom crítico sobre a política do país, direcionada exclusivamente ao então presidente Fernando Collor de Mello, a canção, que refletia a instabilidade política da época, foi um marco na carreira do rapper e impulsionou o seu crescimento artístico e a atenção da época para a Cultura HIP-HOP dos próximos anos...Continua...

Rage Against the Machine

Cypress Hill

Public Enemy

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O Negro Em Cena

Café com Canela

Por: Vitor Dassiê

A Bahia já foi cenário de inúmeros filmes, livros, novelas, contos... As festas da Bahia são celebradas por sua expressividade e alegria, mas será que essa imagem da Bahia, exportada para a apreciação de turistas, é sua única expressão? Que outros afetos podem e precisam ser encenados e vividos coletivamente, além da alegria esfuziante do carnaval? As cenas iniciais de Café com Canela (2017) intercalam as imagens de duas festas. Uma acontece no futuro próximo em relação ao tempo do filme e a outra, anos antes. Ambas celebram a vida e seus encontros, desencontros e reencontros, mas não pretendem vibrar na mesma frequência das grandes festas da região. A primeira é uma festa de aniversário de criança. Simples, com guaraná, bolo e primos. A segunda, um churrasco no terraço entre amigos e família.

O retrato que estas imagens revelam mostra uma Bahia distante daquela Bahia folclorizada. É um retrato tirado de dentro, da intimidade, da realidade. Retrato que mostra o cotidiano de pessoas comuns e que por isso traz a leveza desses encontros, recurso usado pelos diretores para lidar com os temas que o filme aborda. É que se este retrato mostra o desejo de celebrar a vida, precisa, por força da realidade, lidar com o peso da morte em suas diferentes manifestações. Escrito e dirigido por Glenda Nicácio e Ary Rosa, jovens cineastas formados pela também jovem Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Café com Canela (2017) ganhou os prêmios de melhor filme, melhor roteiro e melhor atriz no Festival de Brasília daquele ano. Apesar da gravidade que o tema escolhido pelos cineastas exige, a forma com que é abordado produz um filme surpreendentemente leve que põe em paralelo os ciclos naturais da vida e a imagem do longo processo de luto de uma mãe negra que perde seu filho precocemente – e todas as conexões que este evento ficcional inevitavelmente produz com a realidade das comunidades negra, indígena, LGBTQIAPN+ e de outros grupos vulneráveis. Em resumo, o drama gira em torno do reencontro de Violeta (Aline Brunne), uma jovem mãe que vende coxinhas de porta em porta para ajudar na renda da família, e Margarida (Valdinéia Soriano), sua antiga professora. Aprisionada às memórias de seu filho morto muitos anos antes, Margarida vive como se estivesse presa a um filme que se repete eternamente, mas que não pode trazê-lo de volta.

[IMAGEM 001] Tal situação a levou a um estado de depressão profunda e de isolamento social. Em paralelo, Violeta cuida de sua avó, D. Roquelina (Dalva Damiana de Freitas), que, em idade avançada, está cercada do carinho e cuidado dos seus, enquanto aguarda seu momento de fechar o ciclo da vida. [IMAGEM 002] Cuida não apenas de sua saúde, alimentação e afeto, mas também de sua vaidade. Por um lado, a possibilidade da morte da anciã, evento que fecha naturalmente o ciclo da vida que se renova em potencialidades e desejos. Por outro a morte que paralisa e aprisiona.

Denise Ferreira da Silva estuda como a racialidade é um fator determinante e justifica a decisão do Estado de matar determinadas pessoas, em detrimento de outras, fenômeno que tem origem nos processos que constituíram a sociedade brasileira. Condição gerada pela disponibilidade de corpos não brancos para a morte e pela supressão tácita, porém efetiva, dos direitos civis destas populações.

Ou seja, a produção social de grupos de não-cidadãos que, se de acordo com a lei, gozam de igualdade de direitos, na prática seguem relegados em castas. Com poucos recursos para conduzir as mudanças que os levariam a sair do lugar de marginalidade a que foram empurrados, seguem sendo corpos vulneráveis, desprotegidos pela lei tácita da impunidade. O foco do filme, no entanto, não está nos processos sociais que produzem cidadãos e não-cidadãos na sociedade brasileira. A causa da morte do menino sequer é mencionada. Poderia ter sido causada tanto por uma doença grave em seu corpo quanto pela doença social brasileira que mata tantos meninos diariamente. É verdade que silêncio também é parte do discurso e se a trama não aborda de forma explícita a questão, isto faz com que a razão e o significado da morte do menino gritem um grito abafado. Mas, de fato seu discurso aborda de forma muito mais visual as consequências deste fenômeno nas vidas íntima e social das pessoas; a forma como um evento como este, muito mais comum e presente nas vidas dos grupos racializados, transforma potencialidades em paralisias; e como a articulação e solidariedade interna têm o poder de reverter a situação. O confinamento e paralisia emocional de Margarida é mostrado ao espectador e vivido pela personagem por meio das imagens da relação dela com sua casa.

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O local, hoje abandonado e sem cuidado, ainda que habitado por ela, contrasta com as imagens em flashback da festa alegre dada em comemoração ao aniversário do menino anos antes. [IMAGEM 003] A imagem de uma mesma casa mostrando vida, contrasta com a outra que se converteu em uma espécie de mausoléu onde Margarida perambula como uma assombração do que foi no passado. Em uma das muitas cenas que procuram traduzir em imagens o processo de confinamento e luto vivido por ela, as paredes de sua cozinha se movem oprimindo a personagem. [IMAGEM 004] Antes ativa – lecionava, cuidava da casa e do filho e tinha uma vida afetiva saudável com marido, amigos e família – hoje parece se alimentar de café e cigarros enquanto tem suas potencialidades oprimidas pelas paredes do lar que se converteu em mausoléu. Imagem universal da mãe que deseja a morte quando perde seus filhos, que quer ir junto com eles para o túmulo. A dor é um discurso e como tal, molda a atuação de quem sofre. E a dor imposta é, desde sempre, um discurso com objetivos específicos a alcançar. É um recado, uma fronteira desenhada. Pode-se dizer que Café com Canela conta uma história universal: a mãe que perde um filho, seu filho único, e tem que lidar com o vazio dessa perda. No entanto, as cordas que esta perda faz vibrar em um membro de uma comunidade secularmente (e atualmente) perseguida ressoam em tonalidades mais profundas e de forma ainda mais intensa. Não é que a perda seja menos sentida pelas mães em outros grupos sociais. É que se a morte prematura, porém aleatória, impõe luto, a morte de mais um jovem negro traz o confinamento que a estrutura social brasileira procura impor a esta comunidade em um sistema de castas que a cada palavra parece querer dizer até onde eles podem ir. A dor particular passa a ser coletiva. Se a violência é intencional, as paredes que oprimem ganham uma nova dimensão e o mausoléu vira também prisão. A morte do filho de Margarida, sem uma causa clara, traz esta reflexão: qual é o real motivo da morte do menino?

O silêncio que a trama impõe sobre a causa da morte do menino é um recurso também usado em outros momentos, como na história paralela de Ivan (Babu Santana) e seu companheiro Adolfo (Antônio Fábio). Ainda que aparentando saúde nas cenas iniciais, Adolfo é encontrado morto em sua casa. Sua cena final deixa mais uma vez em aberto a causa e o significado daquela morte. A violência, seja física ou psicológica, induz a ação e molda o comportamento. E a história paralela de Ivan e Adolfo cumpre sua função de apresentar outros pontos de vista sobre o tema que o filme propõe. É inevitável, como expectador, cogitar suas causas possíveis. Teria sido um mal súbito? A trama não dá nenhuma pista antes ou depois do evento. Assassinato? Não há sinais de violência. Suicídio? Durante o churrasco na casa de Violeta, família que os acolheu, a rejeição que Adolfo sofria em família é mencionada por Ivan. Ainda que silenciada, a dor de Ivan, um homossexual negro, faz lembrar na sua comunidade o silêncio como imposição. Da mesma forma, a dor de Margarida igualmente vibra as cordas da dor coletiva em sua comunidade e a forma exagerada como responde à dor ao longo dos muitos anos que passou aprisionada deveria fazer soar na sociedade em geral a mensagem: nossos filhos estão sendo assassinados. Mas a naturalização da dor imposta e de suas respostas igualmente naturalizadas e silenciosas causam ruído em nossa percepção.

Christina Sharpe, em No Vestígio: Negridade e Existência, pensa a presença da morte e a necessidade de luto e vigília constantes como a forma como se produz a consciência do que é ser negro nas Américas. O estado de alienação em que Margarida se encontra a afasta de sua comunidade, mas também de sua ancestralidade. Ela não quer mais se ver no seu espelho, recusa a própria imagem, como uma Oxum sem vaidade que perde assim sua própria identidade. [IMAGEM 005] Estas e outras tantas imagens que trazem a mística e a simbologia da religiosidade negra são os primeiros elementos que traduzem para o espectador a ideia de cuidado e vigília a que se refere Sharpe. [IMAGEM 006] No entanto, é a ação direta de Violeta que vai mover a trama. É sua insistência diante das várias recusas de Margarida que leva o espectador a se identificar. Estes mesmos elementos, vaidade e identidade, se repetem no cuidado da neta com sua avó. Violeta se vê na sua avó, se identifica nela como quem se olha em um espelho. Os mesmos cuidados que dedica à sua própria imagem [IMAGEM 007], dedica a D. Roquelina, ainda que esteja inválida e possivelmente nos últimos momentos de sua vida. A história paralela de Violeta com D. Roquelina traz a tristeza da morte, assim como a história de Margarida, mas ao contrário desta, traz também as potencialidades que a renovação dos ciclos da vida promove e os desejos que transformam potencialidades em ações.

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A vigília e o cuidado que o luto naturalmente incita levam Violeta a se ver em sua avó como em um espelho. Quando ela estende a vigília e o cuidado à sua comunidade, se cumpre o fenômeno que Sharpe observou. A dor individual ganha uma dimensão coletiva e traz a consciência de que aquele não é apenas mais um exemplo do paradigma universal da mãe que perde seu filho. Estas mães estão confinadas, existe um desejo de confiná-las, desejo expresso pelo discurso da violência. Café com Canela faz ressoar essa corda que nos diz a todos: “nossos filhos estão sendo assassinados”. Ou pelo menos deveria dizer, independentemente de a que grupo se pertence. Se você não sente a palavra filhos como “nossos”, pelo menos um “nosso país deste jeito está sendo assassinado” já resolveria. Café com Canela aborda todos estes temas com a leveza de um encontro corriqueiro entre amigos, mas sem deixar de abordar cada um dos aspectos que propõe. O que Café com Canela quer é reunir as pessoas.

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O Negro Em Cena

Altay Veloso: Alabê O Poeta

Texto e Fotos: Ierê Ferreira

Altay Veloso da Silva nasceu em 26 de fevereiro de 1951 e é natural de São Gonçalo, Rio de Janeiro. Poeta, músico, cantor, compositor, escritor e ator brasileiro, ele carrega uma rica herança cultural: neto de um acordeonista e filho de um jongueiro capixaba com uma sacerdotisa de religião de matriz africana.

Aos 21 anos, começou a compor e, graças ao seu talento, foi convidado a integrar bandas de grande prestígio do Rio de Janeiro, como O Rancho e Bando do Bando, que deu origem à lendária Banda Black Rio. Na convivência com virtuosos instrumentistas, Altay aprimorou seu ofício até participar do MPB Shell em 1980, quando lançou seu primeiro álbum autoral, O Cantador, pela RCA.

Nas décadas seguintes, consolidou sua carreira com álbuns como Sedução (1987) e Paixão de d'Artagnan (1988), pela Warner Continental. Suas canções marcaram trilhas sonoras de novelas da Rede Globo e foi convidado, por três anos consecutivos, para o Festival de Jazz de Montreal, onde se apresentou ao lado de grandes músicos brasileiros e do renomado saxofonista canadense Jean Pierre Zanella.

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Em 1996, compôs o pagode romântico Antes de Dizer Adeus, interpretado pelo grupo Soweto e regravado por diversos artistas ao longo dos anos. Em 1998, fundou seu próprio selo e estúdio de gravação, lançando Nascido em 22 de Abril, álbum totalmente dedicado ao Brasil, no qual atuou como único arranjador e instrumentista.No ano 2000, a icônica cantora Leny Andrade dedicou um álbum inteiro à obra de Altay Veloso, Leny Andrade canta Altay Veloso. O disco traz interpretações marcantes, incluindo a canção Estrela Luminosa, um dos grandes momentos da carreira do compositor.Entre 2002 e 2006, Altay integrou o corpo de jurados do Prêmio Sharp/Tim, compôs para diversos artistas e produziu trilhas sonoras para publicidade e curtas-metragens. Em 2004, lançou o livro O Alabê de Jerusalém, e no ano seguinte escreveu a maior ópera negra da história do Rio de Janeiro. Antes de ser encenada, a ópera foi lançada em CD e DVD, tornando-se um marco no teatro negro brasileiro.

A obra narra a saga de Ogundana, um africano que viveu no tempo de Jesus, dominava conhecimentos de medicina e acompanhou Pôncio Pilatos em sua jornada de Roma a Jerusalém. Séculos depois, Ogundana retorna como entidade espiritual para contar sua experiência. A ópera aborda temas como tolerância religiosa, convivência pacífica e a intersecção entre o cristianismo e a cultura afro-brasileira. O título Alabê faz referência ao sacerdote dos tambores na tradição afro-brasileira, cuja missão é conectar o mundo terreno ao espiritual através da música.Aqui quero destacar que O Alabê de Jerusalém foi uma das coisas mais lindas que eu já vi, um mar de gente em cena, movimentos, coreografias, texto e músicas em perfeito sincronismo e uma história arrebatadora, cheia de simbologias espirituais como as Yabás, amparando Maria, a mãe de Jesus, no seu calvário. Sempre que vejo as fotos dessas cenas as lágrimas me enchem os olhos, não pela dor, mas pela beleza daqueles momentos poéticos.

Em 2016, a obra inspirou o samba-enredo da Unidos do Viradouro. No mesmo ano, Altay venceu o concurso de samba-enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel, sendo um dos autores da trilha sonora do enredo As Mil e Uma Noites de Uma ‘Mocidade’ Pra Lá de Marrakesh, que ajudou a escola a conquistar o título do Carnaval de 2017, junto com a Portela.

Altay Veloso é um compositor e escritor que tem suas canções eternizadas nas vozes de grandes artistas brasileiros, incluindo Roberto Carlos, Alcione, Leny Andrade, Jorge Vercillo e muitos outros nomes de destaque na música.

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“Estrela Luminosa".Composição: Altay Veloso

 

Maria cheia de raça Não teve de graça o que recebeu Quando alguém é um rio que gera um oceano Não há nenhum tirano que arranque o que é seu

Um ventre quando se transforma em um santuário

É revolucionário ao meu modo de ver

Ninguém vai do parto ao santo sudário sem saber porque

Tem que ter a luz da humildade Cumplicidade, amor e revelia Ninguém se torna mãe da cristandade sem a santa ousadia

Olhos que velaram pelo sono de Adonai Clareai o mundo, mãe, iluminai

Cada vez que um de nós se vê tentado Pela insana covardia Divina mãe Estrela luminosa que perpetuou Belém Guerreira mãe

Nos dias de trevas nas ruas de Jerusalém Olhai por nós nas horas de tristezas, nos momentos de aflição

E derramai a poderosa força de vontade em nosso coração

40 AnosTrecho da canção de Altay Veloso e Paulo Cesar Feital

São 40 anos de aventuras

Desde que mãe teve a doçura

De dar a luz pra esse seu nego

E a vida cheia de candura

Botou canção nesses meus dedos

E me entregou uma partitura

Pra eu tocar o meu enredo

Sei que às vezes quase desatino

Mas esse é o meu jeito latino

Meio Zumbi, Peri, D. Pedro

Me emociona um violino

Mas também já chorei de medo

Como chorei ouvindo o Hino quando morreu Tancredo

Dos 40 anos de aventurasSó 20 são de ditadura

E eu dormi, peguei no sono e acordei no abandono

Meu país tava sem dono e eu fora da lei

Me apaixonei por Che Guevara Quase levei tapa na cara

Melhor é mudar de assunto

Vamo enterrar esse defunto

Melhor lembrar de Madalena

De Glauber Rocha no cinema

Das cores desse mundo

Foto: Jorge Ferreira

O Negro Em Cena

Apresentação

Afro Imaginarte é uma proposta de reflexão sobre a luz que nos ilumina versus a luz que habita em nós. É um olhar afrocentrado do fotógrafo sobre os espaços que ocupamos, nossos gestos, as cores que vestimos, nossa cultura, o contraste entre luz e sombra e a harmonia poética da imagem na arte da fotografia, tanto colorida quanto em preto e branco.

Este trabalho foi concebido a partir da escolha que fiz, em minhas andanças, de retratar nosso povo, de imprimir e emoldurar as cenas que selecionei primeiro garimpando e restaurando molduras, depois as produzindo artesanalmente, no melhor estilo nós por nós.

Ierê Ferreira

O Negro Em Cena

Revista de arte e cultura

 

Conheci Zózimo Bulbul no início dos anos 90 quando frequentava a rua Álvaro Alvim, que na época era onde se reuniam os artistas da música, teatro e cinema. Pela proximidade da Câmara de Vereadores alguns políticos também frequentavam

esta rua, no centro cultural do Rio de janeiro. Os bares eram os pontos de encontros antes e depois

dos shows, onde anônimos e famosos brindavam com cerveja, cachaça ou batidas de gengibre do bar Carlitos que ficava bem em frente ao teatro Rival.

Eu gostava de conversar com as pessoas mais experientes do que eu. Um dia, fui apresentado a um jovem senhor chamado Wilton Cobra, que na época era fotógrafo da ABI (Associação Brasileira de Imprensa). Um negro alto e elegante que sempre andava com colete, bolsa e caixa de fotografias embaixo do braço. Como já estava fotografando alguns eventos e era recém-formado em fotografia pelo Senac, eu e o Sr. Wilton conversávamos muito. Um dia ele me apresentou o Zózimo. Depois desse encontro virei fã, amigo e aluno. Sim, aluno! Pois ele sempre tinha muito para ensinar sobre negritude, sociedade, música e principalmente sobre cinema e fazia isso da forma mais lúdica possível.

Zózimo era um homem alto e tinha além da beleza, um porte de guerreiro nobre e fazer justiça era seu objetivo. Ele costumava dizer que “o Tarzan não o representava", "que em frente ao Maracanã a estátua erguida tinha que ser a do Pelé e não a do Bellini" e que o "Simonal era muito melhor que o Roberto Carlos”. Quando ele e a sua companheira Biza Vianna inauguraram o Centro Afrocarioca de Cinema foi como se um portal afrodiaspórico abrisse para mim. E lá estavam as filosofias africanas, as conquistas, as invenções e as bases civilizatórias e eram todas pretas. Não eram como nos livros didáticos da minha época de estudante, nem eram como a TV mostrava, era a ÁFRICA o continente mãe. Sem contar com o fato de que no Centro Afrocarioca sempre se reunia a nata da cultura negra da cidade, para comemorar e discutir possibilidades em jantares fartos ou simples coquetéis. Assim formamos um grupo de trabalho que duas ou mais vezes por semana se encontravam para falar de projetos e atividades no espaço.

O meu dia no Centro Afro começava com o Zózimo pedindo para ler o caderno de cinema. Após a leitura, nossas conversas fluíam sobre as matérias e críticas dos filmes.

Na sala de cinema, assistíamos aos filmes africanos que Zózimo fazia questão de exibir. Muitas vezes, o filme não estava nem legendado, mas, ainda assim, curtíamos muito esse momento. Um desse filmes, sem legenda, contava a história de um jovem africano que saiu

de um vilarejo para estudar nos Estados Unidos. Esse jovem se apaixonou pelo cinema e quando retornou levou na bagagem fantasias de “cowboy”, armas de espoleta e uma câmera Super 8. Reuniu seus amigos e foi fazer filme de“cowboy” em plena Savana Africana, uma metalinguagem que não esqueço jamais. Depois dos filmes, nós ficávamos conversando sobre como eram as coisas nos países africanos e o meu desejo de ver a África de perto ia ficando cada vez maior. Com muito esforço e trabalho, principalmente da Coordenadora e esposa do Zózimo, Biza Vianna, o projeto do Encontro de Cinema Negro foi realizado e já nasceu grande. Com filmes internacionais e a presença de cineastas consagrados como Cacá Diegues, Nelson Pereira dos Santos, o nigeriano Olá Balogum, entre outros. A partir deste encontro, o portal afrodiaspórico ficou ainda maior, pois nunca tinha visto tantos filmes produzidos, dirigidos e interpretados por pessoas da minha cor. Minha empolgação era tanta que eu fotografava tudo e todos ao redor e a magia do cinema ia me enfeitiçado cada vez mais. Eram filmes nacionais e de diversos países africanos, Cuba, Estados Unidos, França e Caribe. Uma profusão de sentimentos me fez  entender o GIGANTE que era o Zózimo e suas ideias. Percebi que todo aquele processo de trabalho já configurava o Encontro de Cinema e que, no futuro, deveria contar essa história a minha maneira com os meus retratos. Muitos outros eventos vieram e eu estava lá para registrar cada montagem, cada aperto de mão, cada abraço, cada sorriso e cada momento de emoção que meus olhos viram. Em 2010, o Brasil

foi o país homenageado no FESMAN. Um festival de arte negra no Senegal que comemorou os 50 anos da independência do país e a inauguração do Monumento ao Renascimento Africano. Zózimo e a equipe do Centro Afrocarioca foram convidados a integrar a delegação brasileira que seguiria para o Senegal. Eram muitos grupos e artistas ligados à cultura negra que foram representar o Brasil no FESMAN. Quando eu soube que também iria, vibrei de felicidade e empolgação, corri para renovar meu passaporte e me organizar para viver uma das maiores emoções da minha vida. Quando eu pisei em solo africano, foi como se todos os pedaços de ÁFRICA que me acompanhavam encontravam o seu lugar e se encaixavam. Dando forma aos meus pensamentos e desfazendo os mistérios. O céu azul

de lá era mais azul, as cores eram mais intensas e a pele muito mais negra e cheia de fé. Foram dias de muitas emoções e trocas potentes. Ver de perto o Monumento ao Renascimento Africano, conhece a Ilha de Gorée, o presídio de onde possivelmente vieram meus ancestrais escravizados e acompanhar o Zózimo na sua missão de representar o cinema negro brasileiro foi e sempre será uma marca profunda na minha vida. Quando meu mestre virou um encantado, eu sabia que ele continuaria a iluminar, como um farol super potente, nosso desejo de justiça contra o racismo e todos os tipos de preconceitos ainda existentes.

Zózimo Bulbul presente!

AGORA TAMBÉM RESTA UMA FOTO QUE O RETRATISTA DEIXOU

Mulheres negras sob o olhar, a lente e o foco de Ierê Ferreira.

Sylvia Helena de Carvalho Arcuri

Este trabalho tem como finalidade apresentar as fotografias, especialmente os retratos de algumas mulheres negras fotografadas por Ierê Ferreira e a partir dessas fotos, estudar a possibilidade da fotografia servir como ferramenta para ativar a memória, não só a memória individual, mas também a coletiva. As personalidades fotografadas são importantes no cenário cultural afro-brasileiro e junto com outras fotografias de Ferreira fazem parte do momento de criação da memória futura da preservação da identidade cultural desse grupo. Identidade, memória e representação foram temas que perpassaram todo esse trabalho e para abordá-los foram usados textos importantes que apresentam conceitos como o de Identidade abordado por Stuart Hall em seu livro: A identidade cultural na pós-modernidade; os conceitos de memória e representação tratados no livro: A memória, a história, o esquecimento de Paul Ricouer; os textos, sobre a fotografia, de Sunsan Sontag do livro Sobre la Fotografía, além de textos de Márcio Seligmann-Silva e Siegfried Kracauer.

Pensar, questionar, problematizar questões relacionadas à cor da pele e à raça na sociedade brasileira é um desafio, pois o Brasil é uma nação que se diz miscigenada. Pode-se afirmar que, aqui ninguém é branco e nem negro? Que cor, que raça é essa que nos distingue? Quem somos, o que podemos ser, onde e por onde podemos transitar? A problemática se instaura com mais veemência e percorre os espaços históricos até hoje sem uma definição. Como se reconhecer como parte do todo se a sociedade cobra uma cor? Quando chegará o momento de preencher as lacunas?

Lutas sociais, políticas e econômicas foram travadas ao longo do processo de identidade de um povo híbrido. Os negros negligenciados conseguiram avançar e receber, de alguma maneira, o reconhecimento da nação como o povo que foi maltratado e usado durante a escravidão. Respeitar e viver as diferenças, ser tolerante é um desafio para humanidade atual. 

Os integrantes dessa sociedade vivem tão voltados para dentro, olhando para seu próprio eu interno que se esquecem, não percebem e não concebem a existência do “outro”. Esquecem que são, que possuem uma identidade porque existe um “outro” que dá a possibilidade da sua existência. Esse “eu” intolerante não percebe que a alteridade é a possibilidade da sua identidade.

Independente da cor da pele, das crenças e do gênero pensar arte, pensar fotografia, como forma artística, é pensar questões das minorias, que são a maioria nesse país. A proposta de Luiz Silva, conhecido como Cuti, é mostrar que: “nasce o interlocutor negro do texto emitido pelo “eu” negro, num diálogo que põe na estranheza, na condição de ausente, o leitor “branco”. Afinal, assim como a literatura, a fotografia é uma grande possibilidade de se estar no lugar do outro e aprender-lhe a dimensão humana” 1 . Incapacidade de conviver com a diferença é discriminação, é preconceito, é ter do outro uma imagem distorcida e errada. Quando se fala do “outro”, fala-se de máscara, do outro rosto, dos excluídos, dos estranhos, dos bárbaros, dos ignorados, dos estigmatizados, dos vulneráveis, dos que estão alijados, daqueles que sofrem algum tipo de violência e preconceito, do medo que esse “outro” causa e do lugar e da posição desse “outro” no mundo. 1 SILVA, Luiz. O Leitor e o Texto Afro-brasileiro.

Disponível em: http://www.cuti.com.br/ensaios3.htm.

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